Respeitar a pessoa idosa é respeitar o próprio futuro

Um dia para refletir
O Dia do Idoso é celebrado em 1º de outubro. No Brasil, a data é reconhecida como Dia Nacional do Idoso e, no mundo, como Dia Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela ONU em 1991 para chamar a atenção para os desafios do envelhecimento.
“O tempo – quando percebemos que ele já passou, entendemos que o mais importante não é o ontem nem o amanhã, mas o agora.”
O envelhecimento populacional é uma realidade incontestável deste século. Mas onde estão as políticas públicas capazes de assegurar dignidade aos idosos?
O que diz a Constituição
A Constituição Federal, em seu artigo 230, é clara:
“A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”
Respeitar a pessoa idosa é dever de todos. Jovens, lembrem-se: dentro de cada um de vocês está o idoso de amanhã.
Leis que garantem direitos
A Lei nº 8.842/94 e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) reforçam essas garantias. Ainda assim, o Brasil carece de hospitais e serviços especializados, apesar das inúmeras reivindicações já feitas junto à União, ao Governo da Bahia e à Prefeitura de Salvador — muitas delas amplamente divulgadas pela imprensa.
Os idosos são trabalhadores que ajudaram a construir este país. São patrimônio vivo da nação. O reconhecimento e o respeito só virão quando aposentados e pensionistas se unirem, especialmente nas eleições, para exigir mudanças concretas.
A força do voto
Segundo pesquisas, o Brasil possui cerca de 61 milhões de aposentados e pensionistas. Somados às suas famílias, representam aproximadamente 122 milhões de votos — número capaz de eleger, unidos, desde vereadores até o Presidente da República.
Infelizmente, os idosos ainda sofrem com o desrespeito do governo, seja pela negativa da desaposentação ou pela redução de benefícios. Isso acontece pela falta de união e mobilização em defesa de seus direitos. Desde a Constituição de 1988, a Previdência Social já passou por pelo menos seis grandes reformas até 2018, além de dezenas de escândalos de corrupção envolvendo o INSS — sempre prejudiciais aos aposentados.
O deputado federal Eloy Chaves, autor do projeto que criou a Previdência Social no Brasil, afirmou em 24 de janeiro de 1923:
“A Previdência Social não é de um partido, não é de um governo, é da sociedade, é patrimônio do povo brasileiro.”
Crise política e desrespeito
Vivemos uma crise moral, política e institucional. Partidos e políticos abandonaram as causas coletivas e o verdadeiro crescimento do país. Desde 1988, tivemos várias reformas da Previdência marcadas por desvios e corrupção. A cultura dos Três Poderes para com o povo brasileiro tem sido: deveres, sim; direitos, nada.
O governo extinguiu, em 1994, o benefício conhecido como “Pé na Cova”. O STF negou a desaposentação. Enquanto isso, avançam interesses políticos como:
o aumento do número de deputados (de 513 para 531);
a ampliação do mandato de senador de 8 para 10 anos;
a aprovação, por 353 deputados, da PEC da blindagem, que protege parlamentares de denúncias de crimes e corrupção;
as articulações do “Centrão” por anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
O Congresso Nacional transformou-se no inimigo do povo e do Brasil, como já denunciei em meu artigo Descredito nos Poderes, publicado no Jornal A Tarde em 24/03/2017.
É preciso distinguir política de politicagem — e entender que votar é dever, mas também instrumento de transformação. Cabe ainda refletir: os princípios constitucionais estão sendo cumpridos?
Art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.”
Art. 37: A administração pública deve obedecer à legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Art. 153: Compete à União instituir impostos sobre grandes fortunas.
A realidade mostra que não. A sociedade também é cúmplice desse cenário. É vergonhoso o quadro social e econômico de idosos que trabalharam com honradez e dignidade e hoje veem seus direitos desrespeitados, muitos sem condições sequer de manter um plano de saúde.
E onde está o hospital da pessoa idosa?
A hora é de agir
Aposentados e pensionistas, a hora é de agir, e não de se omitir! Cadê os movimentos sociais?
Vamos ajudar os aposentados a passar o Brasil a limpo para as futuras gerações? O uso do dinheiro público precisa ser respeitado!
Reconstruir o Brasil é urgente, visto que a educação está deseducada, a saúde está doente, a segurança está insegura, e os benefícios dos aposentados e pensionistas estão sendo reduzidos. E o que ocorrerá com os aposentados do futuro?
A reconstrução do país passa pelo poder político dos idosos. Isso só será possível com união, consciência política e participação ativa nas eleições de 2026, considerando o peso decisivo dos votos de suas famílias.
A verdadeira CPI do eleitor é o voto consciente. Dê valor ao seu voto e a você, eleitor. A hora é de ação, não de omissão. Seja a mudança para um Brasil melhor e mais justo para as futuras gerações. Juntos seremos mais fortes! Compartilhe!
Querer é poder!
“Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles.” — Rui Barbosa
“Não erramos quando damos muito de nós a alguém. Erramos quando esperamos reconhecimento de alguém que não soube valorizar a sinceridade que lhe demos.”
Alderico Sena – Aposentado, ex-Secretário-Geral do PAN – Partido dos Aposentados, Presidente do Movimento dos Aposentados e Vice Nacional
www.aldericosena.com
