A ciência avança, mas as multidões traduzem Darwin grosseiramente

Gerson Brasil

Secretário de Redação da Tribuna da Bahia

O covid-19 e suas variantes impuseram um ritmo acelerado aos cientistas na condução de pesquisas e estudos, surpreendendo-os.  A revista britânica Nature,  uma referência mundial na publicação de  artigos científicos revelou num briefing, de 17 de maio, que somente em 2020 ficou esclarecido que a contaminação do vírus se espalha principalmente pelo ar e raramente por superfícies sólidas. A afirmação estava lastreada no estudo de Marr, um cientista de aerossóis da Virginia Tech. Para ela, o novo coronavírus paira no infectando qualquer pessoa.

Em outro briefing, de 25 de maio, a revista relata também que um estudo sobre  máscaras de  John Brownstein, epidemiologista da Harvard Medical School em Boston, Massachusetts, fixou que “as máscaras podem bloquear partículas virais que se deslocam em gotículas e aerossóis”. E outro estudo, desta vez do  Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, “sugeria que a umidade que se acumula dentro de uma máscara pode ajudar a fortalecer as defesas dos pulmões contra patógenos 8”.

Esses estudos, hoje disseminados, na comunidade internacional científica, reforçam consideravelmente a importância do uso de máscaras, ao lado imperativo das vacinas, como formas de combate ao covid, mas excluindo aglomerações de modo indiscriminado. “Helene-Mari van der Westhuizen, cientista de saúde pública da Universidade de Oxford, no Reino Unido, lamenta como as primeiras diretrizes do Covid-19 enquadravam as máscaras como “estéreis e assustadoras”.

Em “O que os cientistas sabem sobre novas variantes de coronavírus de rápida disseminação”, a Nature anota que “ os pesquisadores identificaram três subtipos, conhecidos como B.1.617.1 (o B.1.617 ‘original’), B.1.617.2 e B.1.617.3, cada um com uma composição genética ligeiramente diferente.Eles agora estão correndo para investigar essas variantes e descobrir como elas podem afetar a trajetória da pandemia”. Ainda não há estudo conclusivo e só hipóteses. “As principais questões permanecem sobre a rapidez com que as variantes podem se espalhar, seu potencial para escapar da imunidade e se causam doenças mais graves”. Julian Tang, virologista consultor da Leicester Royal Infirmary, no Reino Unido, diz, “eu olho para as mutações individuais porque cada uma delas tem propriedades individuais que acreditamos poder conferir maior transmissibilidade”. Mas a Nature anota também a declaração de Mehul Suthar, imunologista da Emory University em Atlanta, Geórgia, com relação as vacinas no combate às variantes do covid. “Essas vacinas estão funcionando”. Ainda assim, os resultados ressaltam a necessidade de continuar monitorando as resposta das vacinas às mutações do SARS-CoV-2”.

E nesse quesito das respostas imunológicas ao vírus, a revista traz boas informações, baseadas em um estudo. “Muitas pessoas que foram infectadas com o SARS-CoV-2 provavelmente produzirão anticorpos contra o vírus durante a maior parte de suas vidas. O estudo fornece evidências de que a imunidade desencadeada pela infecção por SARS-CoV-2 será extraordinariamente duradoura. Somando-se a boa notícia, “as implicações são que as vacinas terão o mesmo efeito durável”, diz Menno van Zelm, imunologista da Monash University em Melbourne, Austrália”.

As vacinas, o uso de máscaras, medidas de higiene, um controle sobre maior proximidade social, e os avanços que a ciência vem fazendo no entendimento do vírus, ajudam e muito a mitigar a pandemia. Mas também é vero que as multidões cansaram, perderam a paciência com as exigência oriundas do combate ao covid, o que não apaga o vírus, mas coloca em cena Darwin, a seleção natural. Os organismos mais adaptados, independentemente de serem  robustos ou não, vão sobreviver. Mas esse darwinismo é grosseiro, despreza a ciência e faz do conhecimento tábula rasa, iguala-se aos estudantes de “A Náu dos Insensatos”, de Katherine Porte: “turbulentos, barulhentos, desrespeitosos e ignorantes, mas estiveram na universidade”. No Youtube, Havana Carbo incrementa o jazz com Acércate Más.

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