Marcos Mendes defende paralisação das obras do BRT : ” Dizer não ao BRT, é dizer sim à natureza!”.

Na tarde desta quinta-feira(8), a Câmara Municipal de Salvador realizou audiência pública virtual sobre “Sustentabilidade e mobilidade urbana, os caminhos do BRT”. A sessão solene foi idealizada e conduzida pelo Presidente da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, o vereador Marcos Mendes (PSOL). Para o parlamentar, o debate sobre as obras do BRT ultrapassa a discussão referente à mobilidade urbana, representa o “desrespeito” da prefeitura de Salvador e do Governo do Estado com o “Bem Viver” da cidade, com os rios, com as árvores centenárias, uma afronta às ancestralidades indígenas e de matriz africana. “As nossas árvores anciãs estão sendo derrubadas. Os nossos rios tamponados. Dizer não ao BRT é dizer um sim à natureza. Estamos defendendo a nossa mãe terra. Estamos defendendo o nosso direito de existir e o noss o direito do Bem Viver”, emocionado, salientou o  vereador Marcos Mendes, do mandato Ecossocialista.
O edil denunciou que existem indícios de superfaturamentos que giram em torno de R$ 54 milhões de reais, isso só  no segundo trecho das obras do BRT de acordo com o TCU. o parlamentar cobrou  “providências emergenciais” aos poderes públicos, que, segundo ele, deveriam fiscalizar e paralisar as obras.  ” O que nos deixa muito triste é que o Inema não cumpriu o seu papel. Nós constatamos também que ACM Neto e Rui Costa estão de mãos dadas e insensíveis às questões socioambientais da cidade, não dialogam com as universidades e nem com os movimentos sociais. As Representações no Ministério Público estão paralisadas. Os interesses econômicos que estão por trás de  todas essas obras a exemplo de Jaguaribe e da Estação Elevatória de Esgoto do Abaeté estã ;o diret amente ligados a interesses de grupos políticos e empresariais”, apontou o vereador, que também é ambientalista, geólogo e mestre em Geologia Ambiental pela UFBA.
A representante do Ministério Público Estadual, Ester Gondin,  ressaltou que não foi realizado estudo de Impacto de Vizinhança e nem de viabilidade técnica, econômica e ambiental para execução das obras do BRT, além das diversas irregularidades e da  destruição de árvores consideradas sagradas.  “Nós do Ministério Público Estadual entramos com ação civil pública e pedimos a suspensão das obras do BRT que, infelizmente, mesmo com todas as irregularidades, não foram suspensas”,  ressaltou a assessora do Promotor do Meio Ambiente do MPE, Heron Gordilho, um dos autores da ação civil pública.
A ambientalista e militante do Instituto Búzios, Marcele do Valle, acusou a prefeitura de Salvador de utilizar a natureza com fins mercadológicos e afirmou que a gestão municipal “mercantiliza a vida” e transforma a cidade em um “balcão de negócios”.
” Precisamos estabelecer uma outra relação com a natureza. A metodologia é sempre a mesma e consiste na ausência de diálogo com a sociedade civil e na falta de informações verídicas sobre as políticas públicas e as reais consequências socioambientais”, protestou a ativista social.
A audiência pública contou com participações de representantes de várias instituições do poder  público, da sociedade civil e do movimento socioambiental. A sessão solene foi transmitida pela TV Câmara canal aberto 12.3, Rádio Câmara Salvador 105.3 FM e  Facebook Oficial da CMS.

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